Alcançar metas de Ano Novo exige regulação emocional

O início de um novo ano costuma mobilizar expectativas em relação às metas pessoais. Para muitos, janeiro simboliza a chance de recomeçar, como se fosse possível "zerar" o que não deu certo antes. Essa sensação de renovação traz esperança, mas também uma carga elevada de expectativa.

No entanto, pesquisas recentes mostram que a adesão a essas metas ainda é baixa entre a população. Um levantamento da Forbes Health com mil adultos nos Estados Unidos revelou que apenas 8% mantiveram suas resoluções por mais de um mês e apenas 1% conseguiu sustentá-las por 12 meses.

No Brasil, um estudo do Instituto Real Time Big Data, encomendado pela Rede Record, apontou que 41% dos brasileiros fazem listas de metas, mas 79% não cumprem o que foi estabelecido. Os números evidenciam que a força de vontade, sozinha, não garante a manutenção de objetivos ao longo do ano. Para Iane Ventura, psicóloga e fundadora da plataforma de práticas terapêuticas Ser Bene, o início do ano funciona como um marco simbólico de recomeço, mas a vida cotidiana segue com responsabilidades, limites e padrões emocionais.

"A expectativa neste período é alta, mas nem sempre a estrutura interna do indivíduo muda. E é essa mudança que precisa acontecer para ser possível realizar as tão sonhadas metas", afirma.

Segundo a psicóloga, os principais erros ao definir metas estão relacionados à forma como elas são estruturadas. "É comum estabelecer objetivos olhando só para o resultado final e não para o processo. Outro erro é definir metas baseadas em comparação ou pressão externa. E tem também as metas muito rígidas, pouco realistas, que não consideram o cansaço, os imprevistos, a vida acontecendo. Muitas vezes não é um desejo genuíno, é uma resposta ao que todo mundo está fazendo", avalia.

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Para aumentar as chances de manutenção, Iane Ventura ressalta que é necessário transformar metas em comportamentos concretos e pequenos. "Em vez de ‘quero ser mais saudável’, é importante definir ações específicas com frequência clara e possível. Não adianta ter o melhor método de planejamento se a pessoa está ansiosa, sobrecarregada ou se cobrando o tempo inteiro. Metas precisam ser divididas em micro-hábitos, acompanhadas de revisões periódicas e, principalmente, precisam caber na realidade emocional da pessoa", explica.

A psicóloga destaca que fatores como ansiedade, autocrítica excessiva e perfeccionismo podem interferir diretamente na manutenção das metas. A ansiedade cria urgência e expectativa exagerada de resultado rápido. A autocrítica transforma qualquer deslize em prova de incapacidade. E o perfeccionismo faz com que a pessoa acredite que, se não for perfeita, não vale a pena continuar.

"Esse trio costuma gerar um ciclo: expectativa alta, pequena falha, culpa intensa e desistência. Não é falta de disciplina, é um funcionamento emocional que precisa de manutenção diária, de preferência com acompanhamento psicológico e técnicas terapêuticas", acrescenta.

Plataforma estimula práticas terapêuticas

Nesse sentido, práticas como Escrita Terapêutica, Meditação Guiada e Yoga podem ajudar a sustentar escolhas ao longo do ano. A proposta da Ser Bene é oferecer essas soluções em uma plataforma de psicoeducação para que o indivíduo aprenda a se organizar, regular emoções, se movimentar e refletir de forma integrada.

"Com práticas diárias mediadas por profissionais, o indivíduo é capaz de integrar mente, corpo e rotina, transformando a forma de lidar com a construção de metas", frisa Ventura.

Para quem já começou o ano sentindo que "falhou" em suas resoluções, a psicóloga recomenda uma mudança de perspectiva. "Primeiro, parar de usar a palavra ‘falha’ com tanta facilidade. Desistir de uma meta não significa incapacidade. Significa que talvez ela tenha sido grande demais, rígida demais ou desconectada da realidade atual".

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"Recomeçar não exige um novo ano, mas sim uma reestruturação interna. Às vezes é só reduzir a meta, reorganizar a rotina e tirar a carga de culpa. Mudança não acontece em linha reta, e está tudo bem", conclui Iane Ventura.

Para saber mais, basta acessar: https://serbene.com

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